Wilson Sales Belchior publica artigo no blog da DMM.corp

Hipermodernidade e escritórios de advocacia: o que devemos fazer?

Hipermodernidade quer dizer modernidade elevada à potência superlativa, enraízada no mercado, na eficiência técnica e no indivíduo que colocam em funcionamento as engrenagens do extremo. Gilles Lipovetsky no texto Tempo contra tempo, ou a sociedade hipermoderna observa aspectos da nossa sociedade que realçam o caráter superlativo das relações sociais.

Segundo o pensador francês movimento, fluidez e flexibilidade marcam os nossos dias. Exalta-se a mudança, a reforma e a adaptação. Não há escolha nem alternativa, senão evoluir, acelerar para não ser ultrapassado. Esta descrição assemelha-se com as transformações que os diferentes setores econômicos estão enfrentando. O mercado jurídico é caleidoscopicamente constituído. A fila dos recém-formados que não conseguem vaga de trabalho se multiplica denunciando as dificuldades do ensino jurídico. Escritórios de advocacia organizados para divisão de despesas sem nenhuma perspectiva de ampliação na sua rentabilidade se somam a projetos profissionais que não consideram o dimensionamento do mercado. O problema é o apego às práticas que não conhecem espaço na hipermodernidade, ela requer evolução em retorno de oportunidades.

Vive-se a escalada do “sempre mais”, ou seja, mais rentabilidade, mais desempenho, mais flexibilidade e mais inovação. Diante deste cenário, dois dados são preocupantes: em survey realizado pela Association of Legal Administrators (ALA), em 2016, revelou que 24% dos participantes não sabiam ou não tinham qualquer percepção da postura financeira do escritório de advocacia; a organização britânica, The Law Society, descreveu no seu relatório do ano passado que até 2020 a indústria jurídica estará irreconhecível.

Em outras palavras, os escritórios que permanecerem fossilizados serão ultrapassados. O que devemos fazer? Incentivar a transição entre paradigmas. Abandonar a versão verticalizada, simbólica, centralizada e apegada ao passado em direção àquela que identifica o escritório de advocacia a uma empresa. Gestão de mudanças focada na discussão de reformas internas, aplicação da inteligência artificial em áreas que vão desde o gerenciamento de riscos, pesquisa jurisprudencial até comunicação e marketing, atuação no mercado digital, gestão de conflitos, administração estratégica de mercado e criação de diferenciadores de marca, permitindo se pensar em atuação global.

Outra característica da hipermodernidade, exposta por Lipovetsky, é a sensação de simultaneidade oferecida pelos intercâmbios em tempo real que desvalorizam as formas de espera e lentidão, e pretendem por fim às rotinas burocráticas, rigidez institucional, entraves protecionistas, realocar, privatizar, estimular a concorrência como exigências de uma sociedade na qual o tempo é escasso e é cada vez mais vivido como preocupação maior.

Em tempos nos quais as autoestradas da informação não deixam espaços vazios, como diria Bauman, os escritórios de advocacia precisam atualizar seus paradigmas de atuação para alcançar as oportunidades de negócios que surgem em um mercado em contínua transformação. A hipermodernidade impõe atuação empresarial, com pensamento global, expansão transnacional e integração tecnológica completa.

Para mais informações acesse: http://blog.dmmcorp.com.br/2017/04/13/hipermoderni...